Infiel , este livro é uma biografia de Ayaan Hirsi Ali , uma Somaliana que cresceu em meio a guerrilhas e pobreza imposta por uma intolerância religiosa.
A biografia desta mulher me impressionou pela forma como as mudanças foram acontecendo na vida dela. O divisor de águas da vida de Ayaan foi sua fuga para a Holanda, país onde conseguiu asilo e onde pela primeira vez teve contato com uma sociedade fundamentada no individuo e nas suas necessidades, muito diferente dos países que na infância e adolescência morou. Ayaan já avia morado no Quênia e na Arábia Saudita, países onde a pobreza e as guerras pelo poder são culturalmente naturais. Quando viveu na Arábia Saudita, ela se envolveu com grupos islâmicos onde a submissão era imposta como lei de conduta.
Quando Ayaan fugindo de um casamento imposto pelo pai, se viu morando em um país onde a cultura lhe dava liberdade, de pensar fazer e amar, ela se viu livre da gaiola mental que até aquele momento era a única verdade que conhecia.
Ela começou a pensa, questionar e verbalizar toda a sua cultura, liberdade está, que não é permitido para o mundo islâmico e por este motivo começou a ser perseguida pelo seus. Ayaan estudou e se formou em ciências políticas, e com uma proposta de combater a intolerância religiosa do seu povo e a tolerância cultural que a Holanda tem com os asilados, ela foi eleita deputada na Holanda. Ayaan provou com estatísticas que os asilados islâmicos que estavam na Holanda, lideravam as estatísticas de criminalidade e agressão, onde as suas vitimas eram na sua maioria mulheres. O ideal dos holandeses em preservar a cultura e a individualidade de cada povo, fez com que eles fechassem os olhos para o fato de que estes asilados não assimilavam a cultura da tolerância e do individualismo, fazendo assim um mundo à parte, onde dividiam as pessoas como os infiéis e os fieis, onde eles islâmicos eram os fieis e os holandeses e todo o ocidente os infiéis. O simples fato de questionar o profeta e sua vida, era proibido para os islâmicos. Ayaan fez mais que isto, foi contra publicamente a tudo que é fundamental na cultura islâmica.
Foi muito difícil para ela tomar esta decisão, mais não foi de uma hora para outra, ela aos poucos foi se libertando de uma historia de agressão e submissão. Ayaan não é uma mulher especial por que descobriu um novo mundo, mais por que luta para que mulheres com a mesma história, também tenham a mesma oportunidade.
O livro a infiel me fez novamente me perguntar o que faz de um individuo que vem de um mesmo contesto religioso, moral e cultural, se voltar contra a sua realidade e fazer tudo diferente, e muitas vezes melhor.
O que tem de diferente neles?

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