Esta experiência começou com um convite de uma amiga muito querida, ela me chamou para participar de um encontro na sua igreja, fiquei bastante tocada com o convite e quis saber melhor o que era este evento. Ela me contou que é um encontro somente para mulheres, todas as palestras seriam dadas por mulheres assim como o serviço de limpeza e cozinha. Ela explicou que ficaríamos reclusas em um lugar por três dias recebendo ensinamentos do evangelho de cristo, e fazendo uma reflexão de nossas vidas. Quando ela terminou de falar, eu já tinha me decidido. Quando dei a resposta ela ficou surpresa, vi nos olhos dela a satisfação em saber que eu Espírita de berço iria a um encontro de uma igreja evangélica, eu sabia que no intimo ela tinha a esperança de me fazer ver que eu estava equivocada, por mais de uma vez em nossas conversas ela demonstrou medo de eu estar errada e mesmo sendo uma pessoa boa, ir para o inferno. Mesmo sabendo das dificuldades que eu teria, eu estava feliz com o convite, pois sei que ela me ama como eu também a amo.
Depois que concordei em ir, comecei a pensar no que eu iria ouvir, e confesso que tive medo, eu sabia que muito do que seria falado lá, bateria de frente com o que acredito ser verdade, eu não tinha medo de confrontos internos, de ter duvidas da minha doutrina, para mim é tudo muito claro. Sei das diferenças entre o espiritismo e as outras religiões,e sei que de igual todas pregam os mandamentos de Jesus, o amor ao próximo, o melhoramento espiritual, e que Jesus nos disse que onde estiver uma a mais pessoas reunidas em seu nome, lá ele estará. Bom se é para Deus, se é a palavra dele, os ensinamentos dele, eu vou!
Quando comentei com minha mãe, ela não fez nem um comentário negativo, mais percebi que ela achou uma bobagem, que seria uma experiência que não me acrescentaria nada, diferente dela uma amiga Espírita falou com todas as letras que eu tava doida, que seria boi de piranha no meio de todas aquelas mulheres, e que não via no que este encontro me ajudaria . Eu também não sabia, mas cada vez que via alguém se por contra, mas vontade de me por a prova eu tinha.
Chagou o dia, todas nos reunimos na igreja, e depois de ser feito uma breve ministração, que aprendi ser o mesmo que palestra, fomos levadas para um colégio. Logo que chegamos recebemos uma acalorada recepção em que todas as mulheres da equipe de trabalho, fizeram um corredor para que nós participantes passássemos.E ao passar elas ia nos chamando de princesas e cantando louvores, o corredor nos levava a um auditório improvisado onde nos tivemos explicações do que é o encontro, qual é o seu objetivo e suas regras.
O nome do encontro é PENIEL que significa Face a Face com Deus, o objetivo é nos libertar dos pecados do mundo, e a maneira de fazer isto, é nos mostrando nossos erros e nos fazendo ter uma conversa franca , intima, e libertadora com Deus. Ate ai tudo bem, mas veio as regras, na verdade a única que eu não previa , foi a que mas desagradou a todas, nós não poderíamos conversar entre nós, por todo tempo que estivéssemos lá. Na hora eu comecei a rir, não por mim, pois não tenho dificuldades em ficar quieta, mas eu conheço muitas das mulheres que estavam ali, e sabia que para algumas seria quase impossível, mas a pastora nos explicou que entregue ao silencio poderíamos ouvir melhor a voz de Deus . Confesso que me agradou muito o fato de não podermos conversar, não pelos motivos que nos foi explicado, o que me fez gostar da idéia, é que se ninguém pode conversar , ninguém me perguntaria se mudei de idéia, se me arrependo, e muitas outras perguntas que me fariam ficar constrangida. O meu problema não era ser questionada, de ser enfrentada pelas ministrações, mas tinha medo de ser interpelada pelas mulheres e pelas pastoras que lá estavam. Eu já tinha todas as respostas das perguntas que elas me fariam, estar lá não me faria desacreditar tudo que é a minha verdade. Aceito Jesus como meu mestre, fui criada ouvindo o evangelho de Cristo, tenho em meu meio religioso, pessoas que são exemplo de vivencia do evangelho de cristo, e por isto é que eu não posso ter duvida que o Espiritismo como todas as outras religiões nos mostra o caminho ao Pai, mas sei também que elas nos mostra, mais se nós não vivenciarmos, se nos não nos melhorarmos, não chegaremos a Deus.
Depois das explicações, nós tivemos a nossa primeira ministração e, já na primeira foi falado coisas que me chatearam, mais depois de pensar um pouco resolvi que não me ofenderia com o que estava sendo falado, por dois motivos; primeiro por que a definição que ela dava de Espiritismo era completamente equivocada, nada tinha na descrição dela de verdade sobre o Espiritismo, e em segundo , se eu fosse me ofender não abriria meu coração para as coisas boas, e nada de bom eu aprenderia e este não era meu objetivo. Tomada esta decisão fiquei mas liberta dos meu preceitos e pude aproveitar melhor tudo que era falado.
Eu ouvi muitas verdades, vi muita dedicação e mais que tudo, amor em todas as ministrações que tivemos. Foi nos ensinado o que é pecado, o quanto é bom servir a Deus, como o conhecimento nos liberta e acima de tudo que Deus é bom e misericordioso. Eu já sabia de tudo isto, mas fiquei muito feliz de ver que eu estava certa, que realmente Deus estava ali, pois tudo que foi falado, foi para nos levar a ele, e fiquei mais feliz ainda com as experiências pessoais que tive. Por muitos momentos eu me senti aos pés dele, senti o clima de paz que vinha do mundo Espiritual, sabia que ali estavam muitas pessoas preocupadas em nos ajudar, eu vi as outras mulheres trazerem do seu intimo toda magoa e rancor que as deixavam segas, que as faziam ser infelizes.
Eu tive experiências muito interessantes, uma delas envolveu uma pastora, o nome dela é Sandra. Eu falei em pensamento com ela em um determinado momento, e ela de imediato me respondeu, como se tivesse ouvido a minha voz. Eu acredito que ela nem saiba que isto aconteceu, foi tão natural da parte dela, e muito importante para mim. A segunda experiência foi com uma discípula da pastora Sandra, a Irmã Andréia, eu estava parada orando e ela veio e me abraçou, e me falou que eu era aceita naquele meio, que aquele meio me amava, me falou ainda que eu não podia estar entendendo nada,mais que ela sabia que onde eu estivesse para onde eu fosse, estaria trabalhando pelo PAI, na hora pensei que alguém podia ter dito a ela que eu sou Espírita, mais depois me convenci que não. Vocês nem imaginam como fiquei arrepiada, e do fundo do coração, é isto que o tempo todo eu pedia a Deus, que me fizesse serva do seu amor, que com os meus exemplos eu fosse instrumentos da bondade de Deus.
A terceira experiência foi para mim a mais impressionante, foi quando em uma dinâmica a pastora Sandra pediu para que nós escrevêssemos em um papel, algo que queríamos que fosse trabalho por Deus. Eu escrevi e guardei como ela avia pedido. Em seguida ela nos pediu para ajoelhar e rezar pedindo para que Deus nos libertasse daquele mal que nos afetava. Todas ajoelharam, menos eu! Eu me sentei e falei para o pai, senhor eu sei que o senhor vai me ouvir, pois o que importa é o meu coração não a posição que eu estou para orar, e assim fiquei. Quando eu estava bem concentrada, eu ouvi; Não é humilhação, é obediência, é Humildade, ajoelha! Você não pediu para ser menos orgulhosa, isto é orgulho, ajoelha. Neste momento eu me ajoelhei, e lembre que no papel eu avia escrito que queria que Deus trabalhasse em mim o orgulho, pois queria ser mais humilde. Se eu tivesse contado isto lá, com certeza elas me falariam que foi a voz do Espírito Santo, para mim foi a do meu amigo espiritual, que também foi enviado por Deus para me ajudar
Quanto terminou o encontro, eu estava feliz. Primeiro por que não me arrependi, segundo por que percebi que todos somos iguais. Iguais nas angustias, iguais no sofrimento, nos sonhos e que todos nos somos tocados pelo amor de Deus. Não importa a religião, a cor, a nacionalidade, o templo que Deus quer construir, não é o da placa. O templo que ele quer habitar é o nosso CORAÇÃO.
Agradecimentos; Ditinha linda do coração, Adriana, Elma, Tania e toda a equipe de trabalhadoras, a Pastoras Sandra e Sueli, as irmãs Andréia e Magda e todas as ministradoras. Meus muito obrigada, que Deus de tudo em dobro a vocês.
POLIANA DE MATOS GARCIA