terça-feira, 29 de junho de 2010

INFIEL

Infiel , este livro é uma biografia de Ayaan Hirsi Ali , uma Somaliana que cresceu em meio a guerrilhas e pobreza imposta por uma intolerância religiosa.
A biografia desta mulher me impressionou pela forma como as mudanças foram acontecendo na vida dela. O divisor de águas da vida de Ayaan foi sua fuga para a Holanda, país onde conseguiu asilo e onde pela primeira vez teve contato com uma sociedade fundamentada no individuo e nas suas necessidades, muito diferente dos países que na infância e adolescência morou. Ayaan já avia morado no Quênia e na Arábia Saudita, países onde a pobreza e as guerras pelo poder são culturalmente naturais. Quando viveu na Arábia Saudita, ela se envolveu com grupos islâmicos onde a submissão era imposta como lei de conduta.
Quando Ayaan fugindo de um casamento imposto pelo pai, se viu morando em um país onde a cultura lhe dava liberdade, de pensar fazer e amar, ela se viu livre da gaiola mental que até aquele momento era a única verdade que conhecia.
Ela começou a pensa, questionar e verbalizar toda a sua cultura, liberdade está, que não é permitido para o mundo islâmico e por este motivo começou a ser perseguida pelo seus. Ayaan estudou e se formou em ciências políticas, e com uma proposta de combater a intolerância religiosa do seu povo e a tolerância cultural que a Holanda tem com os asilados, ela foi eleita deputada na Holanda. Ayaan provou com estatísticas que os asilados islâmicos que estavam na Holanda, lideravam as estatísticas de criminalidade e agressão, onde as suas vitimas eram na sua maioria mulheres. O ideal dos holandeses em preservar a cultura e a individualidade de cada povo, fez com que eles fechassem os olhos para o fato de que estes asilados não assimilavam a cultura da tolerância e do individualismo, fazendo assim um mundo à parte, onde dividiam as pessoas como os infiéis e os fieis, onde eles islâmicos eram os fieis e os holandeses e todo o ocidente os infiéis. O simples fato de questionar o profeta e sua vida, era proibido para os islâmicos. Ayaan fez mais que isto, foi contra publicamente a tudo que é fundamental na cultura islâmica.
Foi muito difícil para ela tomar esta decisão, mais não foi de uma hora para outra, ela aos poucos foi se libertando de uma historia de agressão e submissão. Ayaan não é uma mulher especial por que descobriu um novo mundo, mais por que luta para que mulheres com a mesma história, também tenham a mesma oportunidade.
O livro a infiel me fez novamente me perguntar o que faz de um individuo que vem de um mesmo contesto religioso, moral e cultural, se voltar contra a sua realidade e fazer tudo diferente, e muitas vezes melhor.
O que tem de diferente neles?

segunda-feira, 21 de junho de 2010

um novo começo

Tudo começou quando um dia, em minha mãe, num local bem protegido chamado trompa, dois elementos se encontraram: um de minha mãe, o óvulo, e outro de meu pai, o espermatozoide. Como dois apaixonados se aproximaram e se abraçaram tornando-se uma pequenina gota d'água.

Esse foi o dia mais feliz de minha existência. Recomeçava para mim a oportunidade do retorno à carne, depois de passar um largo tempo no mundo espiritual.

Deram-me o nome de ovo. Eu era muito pequenino, muito menor do que um grão de areia. Iniciei então, uma longa viagem. Empurrado para diante por algo semelhante a cílios, que desenvolviam movimentos delicados como os do mar quando beija docemente a praia, indo e vindo, cheguei enfim a um lugar chamado útero.

Era um lugar macio, quentinho e logo notei não correr perigo. Sem muito esperar, fui me aninhando, agarrando-me firmemente em uma das paredes. Já contava com três dias de vida.

Aos poucos fui me cobrindo com uma membrana daquela mesma parede. Aos 9 dias de vida, minha forma era a de um disco e tinha meio milímetro de diâmetro. Fui crescendo e aos 12 dias de vida já tinha o dobro do tamanho: um milímetro.

Recebi o nome de embrião. Comodamente instalado, fui formando uma almofada que se chamava placenta, para que melhor me pudesse alimentar, retirando do organismo de minha mãe tudo o de que precisava.

Já estava com quase um mês. A expectativa de minha existência era muito grande. A ansiedade de minha mãe se transformou em pura alegria quando os testes deram positivo. Agora era meu pai a querer saber se eu seria menino ou menina, louro ou morena, de olhos castanhos ou azuis.

Quando ele perguntou: Como será ele? - fui logo respondendo: Tenho forma da letra C, e pareço com um cavalo-marinho. Tenho um centímetro de tamanho.

Não sei se me ouviram mas o que sei é que redobraram cuidados e recomendações.

Aos dois meses, meu corpinho estava mais reto, minha boca mais formada, meu nariz começava a aparecer, meus olhos estavam mais desenvolvidos. Meu tamanho? Quatro centímetros. Meu peso? Cinco gramas.

Aos três meses já tinha forma de gente... E o tempo foi passando.

Emoção mesmo foi no dia em que mamãe pôde ouvir o meu coraçãozinho bater. Sentia como se fosse uma mensagem para ela. E era mesmo. Era meu agradecimento por tudo o que ela fazia e pensava por mim.

Ela esperava, papai aguardava e eu também. Como seria o nosso reencontro?

Seis, sete, nove meses. O médico marcou o dia de minha chegada. O meu enxovalzinho estava pronto e meu bercinho me aguardando. Última semana de espera.

Hoje me apresentei para toda a família. Que alegria! Meu primeiro dia de vida, nos braços de minha mãe.

* * *

Os filhos que nos chegam pelas vias da reencarnação são, quase sempre, personalidades amigas com as quais já vivemos em outras eras.

Chegam-nos, batendo à porta do coração, a solicitar entrada e quando lhes permitimos o ingresso no seio da família, se enchem de felicidade.

Podem ser comparados a aves pequenas que retornam ao ninho, após exaustivas andanças por outras terras, à procura de carinho, ternura e abrigo.

Fiquemos atentos e jamais fechemos as portas do nosso amor a esses pássaros implumes que nos buscam desejando oportunidade para retornar à vida física.

Redação do Momento Espírita, com base em texto de
Apostila do Grupo de gestantes da União das
Sociedades Espíritas do Estado de São Paulo, 1995.
Disponível no livro Momento Espírita vol 1, ed.Fep.
Em 17.06.2010.